Seguidores

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Consumo ou apropriação das novas linguagens

Today it’s common and usual to question the role and sense of language. Not only in the sense of national languages and the translations/frontiers around this (Babel), but essentially toward linguistics codes and naming on the spreading of new languages as result of our appropriations of technology (SMS, Internet, acronyms, abbreviations, etc.).

foto by Holger
How can we organise this in terms of consumption? We consume language everyday, verbal and not verbal, visual or oral, from our thinking in contact with other and the world around us. The appropriation of technology in terms as we need to turn it nationally and available for us, we tend to simplify, synthesize and informal turning something that is not external, but and extension of us. That’s why we abbreviate sentences, use more than ever foreign words as English to express universally something, express ourselves by emotion icons. This new languages is being insert easily and frequently in the habits of younger people. Why? They are more open to these forms of modern world, technology and language.

The film Babel of Alexandro Itarru had a very special meaning to me because in some way is link with the subject of my theses (mestrado). Today, we live with several and new languages. What’s the meaning of this? In XXX century Esperanto was the secret cod of hope for a group that could be the future of human kind, express in a unique language. But nation’s diversity and the advent of Babel tower result in the spread of different languages. Could this be in our days with the raising of this new language, the searching of a unique & universal language? Are we looking for it? New media, communication, fusion of languages and technology and equipments (iPod, iphone, iPad, SmartPhones…) could be a way of getting to it? New languages are a new Esperanto but more democratique and global.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Utopia


A minha geração foi alvo da prova geral de acesso ao ensino superior. Muitos recorreram a explicações ou a livros oportunistas sobre os hipotéticos temas a exame. Optei pelo tema livre e dei asas à imaginação ao escrever uma narrativa de ficção científica sobre um futuro catastrófico onde pessoas infectadas com o vírus da Sida eram isoladas em cápsulas que ficavam a vaguear pelo espaço. O texto começava por descrever o que observava como narradora fazendo um zoom in ao interior de um cocoons, e eis quando me apercebi que era também personagem daquela projecção dum futuro não ideal (utopia) mas uma distropia, arriscando por um tema emergente naquela década e que me valeu-me um “bom”.

No passado o esperanto uniria a civilização emergida numa realidade babeliana no uso de uma língua comum. Nos nossos dias, identificam-se três principais utopias: a ecológica, a antropológica e a tecnológica, acreditando que a humanidade acaba sempre por encontrar soluções técnicas para os seus problemas.

Este texto foi publicado no JORNAL LISBOA, CAPITAL, REPÚBLICA, POPULAR (2ª EDIÇÃO) que celebra a imprensa escrita de Lisboa de outros tempos. Esta 2ª edição dedicada ao tema da Utopia contou com um pequeno contributo meu na página 14, precisamente sobre o tema da linguagem, tecnologia e comunicação.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Torre Bela de Babel


Vem este novo texto a propósito do filme documentário do cardápio da última edição do Festival IndieLisboa, Linha Vermelha de José Filipe Costa sobre o documentário Torre Bela, filmado em 1975 pelo realizador alemão, falecido em 2010, Thomas Harlan. Um documentário sobre um documentário.
Se o visionamento do primeiro documentário há meia dúzia de anos no cinema King já me havia suscitado tantas interrogações e introspecções, esta nova revisitação do filme que é também ela uma reflexão sobre o cinema e a literacia das imagens, que é também uma tese de doutoramento criou-me um fiar de novas reflexões e interrogações. Para além do merecido prémio da CGD para melhor curta metragem nacional, deste jovem realizador que tenta desconstruir o filme documentário, realizado na herdade do Ribatejo Torre Bela, quem assistiu à exibição e conversa posterior com o realizador no passadofim-de-semana ganhou também a oportunidade de participar e experienciar um momento único de partilha do olhar do outro e da interpretação expressa de alguém que foi mais fundo bem como das vivências e testemunhos de quem presenciou e viveu aqueles momentos marcantes na sua história pessoal e na vida de um país embrionário no processo de transformação democrática. Esses testemunhos que presenciei passados mais de 35 anos dos factos e mais de cinco anos do filme que originou este novo olhar, foram de um dos protagonistas da história da ocupação da Torre Bela, o Wilson e da Fátima, neta de outra das protagonistas do filme e da experiência pioneira e piloto da cooperativa popular ou “vaulxcooperative”.


Esta experiência cultural e perspectiva sociológica contribuiu em muito para o meu enriquecimento pessoal e levou-me a esmiuçar a minha memória de infância que por vezes temos tendência a efabular ou crer ser produto da imaginação. Recordo de forma pouco nítida, uma das primeiras imagens e acontecimentos da minha infância, no Verão de 1975, com a notícia da ocupação da casa da minha avó Casimira no Alentejo em pleno período revolucionário do país. Partimos em família em auxílio e apoio à minha avó e reunimo-nos com restante família, vizinhos e outros tantos que se juntou na rua em frente à casa no Bairro de N. Sra. Da Conceição, à espera que a polícia ou GNR lá do sítio obrigasse a sair ou a expulsar as duas ou três famílias que tinham ocupado a casa tipicamente alentejana desabitada desde há alguns meses, em virtude do facto da minha avó ter ido ajudar uma filha mais nova que vivia no Ribatejo e que tinha sido mãe recentemente.


Estas famílias tinham ficado durante algum tempo na minha mente e memória, como pessoas brutas, clandestinas e ilegais que haviam cometido um acto punível e vilipendiado o espaço íntimo de uma idosa proprietária, que era também a nossa casa. Mais tarde, vivi com ela e passei algumas férias de Verão e recordo-me de vermos e comentar sobre alguns objectos da casa que testemunharam aqueles acontecimentos e que tinham as marcas daquela ocupação desajeitada e quiçá necessitada.


Ideologias e moralismos políticas à parte, o que me apraz aqui dizer e partilhar foram estes meus momentos de reconciliação com o outro lado de ver as coisas e o outro lado da verdade que me foram suscitados pelo facto de ver o documentário Linha Vermelha sobre o documentário da Torre Bela. Aquelas pessoas estavam a viver um momento único e sem qualquer referência ou paralelo quanto à legitimidade dos seus actos face à nova situação que o pais atravessava. Mesmo que não se tivesse justificado, há a história por trás dos factos e das pessoas e o impacto do país na vida dos ocupantes e na memória sobre esse período. E como se sentiriam no momento em que foram expulsos ou saíram da casa perante o olhar dos outros e o nosso olhar? Que fragilidades, desespero ou causas os motivaram? Muitas são as interpretações e narrativas possíveis que fizeram a minha leitura actual da Torre Bela uma Torre de Babel.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A visita à avozinha no eco-Alentejo


O termo avozinha é fruto da saudade e virtuosidade que o tempo transporta. Apesar do seu aspecto frágil, corpo curvado e vestes negras de luto, o seu carácter e capacidade de trabalho eram de uma grande força e tenacidade. Vivo os dois primeiros anos do ensino primário no Alentejo. Este período marcou-me e moldou-me de forma subconsciente o carácter e a memória pelo apelo a uma identidade cultural e territorial que só anos mais tarde percebi. A ligação que a minha avó materna Casimira, a única que conheci, tinha com a terra era de uma sabedoria e respeito recíproco como pouco encontrei até hoje. Os dias singelos destoavam no tempo e no espaço do meu quotidiano anterior na àrea metropolitana de Lisboa, na cidade satélite de Almada, que naquela tenra idade considerava cosmopolita e até evoluído comparativamente com o baixo alentejo. O ritmo era ditado pelo trabalho exaustivo da minha avó ora na venda esporádica dos seus produtos hortícolas no mercado de Beja, na sua horta no campo e nos quintais da casa branca. Não havia tempo ou espaço para muitas brincadeiras com outras crianças da minha idade. Inventava-as ou criava pequenas e ocasionais oportunidades de estar com elas no entardecer. Ficaram-me porém alguns ensinamentos e práticas do quotidiano que agora me parecem preciosos ou peculiares:
- Apanhar pequenas pedras ou gravilha no caminho de regresso da pequena horta no monte para dar às galinhas para mais facilmente porem os ovos;
- A banheira de metal no quintal da casa que retinha a água da chuva e que servia para rega das plantas (o aproveitamento das águas domésticas era um hábito religiosamente cumprido);
- A sesta reparadora no Verão à hora de calor abrasador permitia aproveitar depois as horas do final do dia de forma mais energética;
- A oferta de flores ou legumes à minha professora da primária, D. Maria de Jesus, era uma forma de manifestar a estima que a minha avó sentia pelo serviço público de valor que era prestava à sua neta e pequena comunidade;
- O azeite colocado sobre um carrapato que se alojasse num animal doméstico ou na pele humana era uma forma de o fazer soltar;
- O cheiro a couve fresca acabada de apanhar no quintal que exalava do caldo verde cortado finissimamente em cima da mesa da cozinha com recurso a um moinho manual e o respectivo aproveitamento dos caules mais duros e folhas menos tenras para juntar à ração das aves como galinhas, patos e perús;
- O banho tomado nos primeiros tempos num alguidar de metal com água aquecida ao lume em grandes panelas;
- A braseira colocada na mesa de madeira da sala que era coberta por uma toalha que tinha a dupla função de reter o calor sobre as pernas;
Enfim, o respeito pela terra e o recurso às hortas domésticas, municipais ou partilhadas que agora começam a ser também uma realidade nos centros urbanos trouxeram-me estas memórias infantis da minha visita à avozinha, no meu "eco-Alentejo".

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O nascimento e a morte são aspectos distintos do mesmo estado?

O título provém das palavras de sabedoria de Gandhi «O nascimento e amorte não são estados distintos, mas aspectos distintos do mesmo estado».

Criei este blogue há mais de três anos sem contudo ter decidido se lhe havia de dar um cariz mais intimo e pessoal ou mais profissional, na área da comunicação. Mas esses há-os tão bons e tão abundantes. Eis que acontecimentos recentes na minha vida tornaram claro por onde iria começar e que destino lhe dar. A perda recentemente da minha Mãe e o sentimento de orfandade despoletou a necessidade de escrever como forma de tentar compreender a morte. Mas nunca compreendemos. Como disse António Lobo Antunes [que recebera a minha mãe há anos numa consulta de urgência numa clínica privada], a Ricardo Araújo Pereira durante uma entrevista para a Visão "É uma incompreensão perante a morte". Por mais que estejamos à espera dela, que a aceitemos como uma libertação para quem sofre, é sempre uma trágica surpresa.

Por essa razão vamos ao baú de memórias, criamos fantasias, histórias e diálogos com os nossos entes queridos, de forma a prolongar a sua permanência em nós, para atenuar a dor ou não esbarrar imediatamente no vazio, sei lá!

Creio que por enquanto, a morte da minha mãe alterou a minha relação com Deus, de quem sempre fui crente. Quero acreditar que ele a recebeu e a envolveu no seu manto divino de paz e serenidade eterna e a deixou adormecer. Mas a frieza da morte fisica do corpo e o vazio que se sente deixa-nos dúvidas. "...tantas palavras qe não há para dizer o silêncio (Herberto Helder)". No entanto, creio nunca ter sentido tanta bondade e amor pelo próximo como nesse período, desde as cerimónias fúnebres aos dias que lhe sucederam.

Ter o coração a transbordar e um sorriso no rosto. A morte parece estar para além de nós, do entendimento, da nossa dor. Há o sentimento de perda pelo que nós perdemos e o de saudade por quem parte. Há ainda o sofrimento ao tentar imaginar o que essa pessoa ter
a sentido imediatamente antes de perder a consciência, se terá sofrido e pelo dúvida do que poderá existir para além da morte, para além do silêncio profundo e eterno.

O sentimento de amor transbordante é substituído ou coexistente com um vazio oco, um vácuo que não é nosso, não o nosso filme ou história da nossa vida. Dizem-me que sim, que é assim. Foram dias a receber manifestações e expressões de carinho e compaixão pelo que sentia e estava a Viver. E depois há Outros porém que estão centrados em si, na sua dor, nos seus problemas diários, na sua angústia egoista, não vendo para além de si aquele que acaba de receber um duro golpe. E há ainda quem pergunte como, onde é, como se vai, a que horas, que afirme não sei se posso ir, se tenho direito ao dia... Esquecem-se de agradecer o que têm e o que recebem na ânsia de vivier um futuro melhor. O futuro é hoje, temos que viver o presente, aprendendo com o passado sem apego nem desagrado mas guardando as boas memórias.

A morte fez-me sentir uma grande pulsão de vida. Senti que fui e sou amada, que amei e que sou capaz de contiuar a amar incondicionalmente, mesmo com o sabor salgado de uma lágrima. Aprendemos com o sofrimento a relativizar. Aceitamos coisas que de outra forma nos transtornavam e pareciam tornar a nossa vida insuportável. Conseguimos viver com ele mas ele estará lá sempre e em certos momentos parece insuportável. Alguém me disse que o tempo não atenua o sofrimento, o que acontece é que aprendemos a viver com ele presente em nós como uma ferida, a percorrer o caminho.(...) "essas memórias nos chegam à medida que vamos caminhando dentro delas (José Luis Peixoto)." Há, portanto, um caminho a percorrer e um processo de aprendizagem na e pela vida.

Quero viver e ser feliz pela minha mãe, uma maneira de garantir alguma eternidade...